Hoje, ao responder um e-mail de um amigo, ao mostrar seu inconformismo diante da falta de público à III Marcha Nacional de Cidadania Pela Vida, assim desabafei:
Rafa,
Ontem foi um grande dia. A Marcha não foi apenas uma oportunidade de mostrar às pessoas que estavam caminhando tranquilamente pelo Eixão da importância da luta contra o aborto.
Ela foi um momento de integração de diversas religiões e crenças, ali reunidas por um único propósito: expressar o seu direito de liberdade de expressão; de concretização do direito tão bem colocado na nossa Constituição Federal.
Não foi uma Marcha religiosa, apenas. Foi uma forma de expressão de um ideal único e simples: DEFENDER a VIDA. Dizer não ao ABORTO. Dizer não a esta idéia mesquinha e furada de que a mulher tem direito sobre seu corpo e que ninguém mais tem nada a ver com isso. Ou pior: que aborto é questão de saúde pública, como disse nosso “Ilustríssimo” Ministro da Saúde.
Havia uma faixa levantada em que os dizeres eram algo desse tipo: o aborto já matou mais que muitas guerras. O útero materno é, hoje, o lugar mais perigoso do mundo para viver. De fato, é por conta desses perigos externos que ontem uma gama de pessoas se mobilizaram para realização deste evento.
E claro, dentro de todo o contexto político que nos encontramos, as abortistas apareceram por lá (sim, não vi nenhum homem levantando qualquer faixa junto com elas). Quiseram marcar presença, invadindo a nossa marcha e, de forma nada cidadã, picharam dizeres no chão, com tinta: “aborto já”; “já abortei, e você?”; “o Estado é laico” e levantaram cartazes com frases desse gênero. Em vão, é claro, pois os participantes não se abalaram com isso. Aliás, usaram uma argumentação muito boa para demonstrar a tese furada de que é a Igreja quem está tomando a decisão das mulheres “proprietárias” dos fetos que carregam em seus ventres: o Estado é laico sim. Tanto é laico que não houve qualquer tipo de proibição, por parte dele, de abertura para uma manifestação como aquela que fizemos ontem.
Foi um grande dia, Rafa. Porém, fica ainda um desapontamento acentuado por parte dos católicos que estavam por lá: a ausência da grande maioria dos outros católicos. Onde estavam? Orando em suas paróquias? Fechados em seus mundos? Assistindo a televisão, descansando, reunidos com suas famílias? Por que não foram todos para lá, juntos, ao invés de ficarem em suas casas? Será que não perceberam ainda que o iceberg está cada vez mais próximo? Que depende muito mais deles a não aprovação deste Projeto de Lei que aprova do aborto em nosso Estado? Será que a divulgação não foi boa? Será que o fato de a Marcha ter acontecido em um domingo, respondendo àqueles que reclamavam que não podiam participar dessa manifestação durante a semana, não adiantou em nada?
Essas perguntas, infelizmente, não saem da minha cabeça, assim, como o pensamento do cientista político anglo-irlandês Edmund Burke: “A única coisa necessária para o triunfo do mal é que os homens bons não façam nada.”
Rezemos, meu amigo. Rezemos para que consigamos transformar a nossa oração em boas ações. E agradeçamos a Deus por todas as pessoas MARAVILHOSAS que se empenharam brutalmente (sim, pois caso não saiba ainda, o Ministério da Cultura pediu o ressarcimento da verba destinada à Marcha, sabe-se lá porquê) para que algo tão importante como este evento acontecesse. Que elas não se abalem com a inércia dos outros católicos e consigam, mesmo que a passos de formiga, chegar ao coração dos que ainda não se tocaram por esta luta que é de TODOS.
É isso. Compartilho com vocês também o vídeo feito por esses jovens tão esforçados, que são sempre exemplos de que quando há vontade, tudo acontece. Parabéns, lutadores! Continuem assim!
A paz de Cristo!
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